"Seja Bem-vindo, Zé! A porta é por aqui mesmo ... Entre!"
Marcos Decliê
Zé era uma dessas pessoas que vive fugindo das dificuldades.
Sempre procurou caminho mais curto e cômodo. Era mestre em atalhos
Nem sempre suas soluções eram as melhores. Mas sempre estavam de acordo
com os seus próprios interesses. Sofrimento era uma palavra que
simplesmente
não existia no dicionário do Zé.
Tudo o que pudesse provocar algum tipo de desconforto era imediatamente
colocado em segundo lugar. Coisas como: solidariedade, amor, desinteressado, humildade, perdão...
Um dia Zé morreu...
Ao chegar no Céu encontrou São Pedro em frente a uma grande porta com uma
imensa cruz de mais ou menos cinco metros.
Zé saudou o Santo com a intimidade de um velho conhecido, ... do jeito
que fazia com os amigos nos bares da vida, quando queria pedir algum
favor.
Depois, então, Zé lhe perguntou: Qual o caminho mais curto para o céu?
São Pedro respondeu:
"Seja Bem-vindo, Zé! A porta é por aqui mesmo ... Entre!"
"Seja Bem-vindo, Zé! A porta é por aqui mesmo ... Entre!"
O Zé entrou e viu uma longa escada, bastante estreita e pedregosa. E
perguntou imediatamente, como fazia nos velhos tempos: Não tem um
caminho mais curto?
São Pedro respondeu com ternura e autoridade: "Não, Zé. O caminho é esse
mesmo. Todos os que entram no céu passam por aqui. E tem mais. Você
deverá levar esta Cruz até lá. São apenas cinco quilômetros de
caminhada."
O Zé olhou para a Cruz e pensou com seus botões: Vou dar um jeitinho.
Agradeceu e saiu com sua Cruz em direção ao Paraíso. Caminhou um
quilometro sem dificuldades. Foi então que viu um serrote esquecido no
chão. Olhou ao redor, não viu ninguém e não resistindo a tentação,
cortou um metro da Cruz.
Continuou o seu caminho mas levou junto o serrote. Mais um quilometro
... mais um metro cortado. Mais um quilometro ... cortou outro metro.
Quando faltava apenas cem metros para chegar no Céu só havia mais um
metro
da Cruz. E lá ia o Zé carregando a cruz sem dificuldade, como sempre fez
durante toda sua vida. Foi então que aconteceu o inesperado. Para chegar
até o Céu, seria necessário atravessar um precipício. A distancia até a
outra margem é de cinco metros.
O Zé podia ver apenas um fogo intenso no fundo do precipício. Faltou
coragem... ele não seria capaz de saltar tão longe. Desanimado, sentou.
Lembrou então a oração do Anjo da Guarda que aprendera com sua avó.
Começou a rezar ... e logo seu Anjo da Guarda apareceu e perguntou:
* Ei Zé... o que você está esperando? A festa lá no Céu está uma
maravilha! Você não está escutando a música e as danças?... Porque você
está aqui sentado?
O Zé respondeu: Cheguei até aqui, mas tenho medo de pular este precipício. O Anjo, então, exclamou:
* Ora, Zé use a ponte!
Que ponte?... perguntou o Zé. E o Anjo respondeu: Aquela que São Pedro
lhe deu lá na entrada! Onde está a sua ponte, Zé? E, Zé compreendendo o
seu grande erro respondeu tristemente ao Anjo:
* Eu cortei!
Autor Desconhecido
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