Marcos Decliê

Tempestade

Nos dias em que passei perdida na tempestade
 
Nau à deriva, por vezes presa em atóis de tristeza
 
Com olhos cegos pela densa neblina da maldade

 
Senti-me como um ser sem a devida autoridade
 
Pertinente a quem se julgava senhor da certeza
 
Certeza na vida, no amor e, sobretudo, na verdade

 
Senti-me como se o chão se abrisse sem piedade
 
E que meu corpo adoentado pela irreal aspereza
 
Caía, despencava em um abismo de temeridade

 
Quando enfim alcancei o fundo da tal profundidade
 
E bati com as duas mãos no chão da impureza
 
Pude então voltar com fúria e tenacidade

 
Pude sentir em minhas entranhas 

energia em quantidade
 
Que poderia recriar, pedra a pedra, uma fortaleza

Que poderia roubar da lua branca, a claridade 
kelly chiabotto

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