Extraído de Kabbalah.info,
Marcos Decliê
Definição de “Liberdade”.
O dicionário
define “liberdade” como: a qualidade ou estado de ser livre; e a
ausência de necessidade, coerção, ou restrição na escolha ou ação.
Nós
certamente temos situações que são consideradas necessidades, onde não
temos nenhuma liberdade. Mas, que tal a coerção ou restrição na escolha
da ação? O propósito deste artigo é examinar onde realmente temos alguma
liberdade, ou se tal coisa, na verdade, não existe.
Não tire minha liberdade!
Vamos
dar uma olhada numa determinada situação, onde temos certeza que temos
liberdade, como escolher a cor de uma camisa. Nós escolhemos vermelho ou
verde? Superficialmente, pode parecer que esta é certamente uma livre
escolha. Mas, na realidade, a escolha reside apenas na prioridade. Será
que eu escolho baseado na minha cor preferida? Talvez a cor que eu goste
mais tenha mudado. Além disso, também tem a opinião
do meu amigo, que está muito feliz em me presentear com aquilo que ele
acha que “fica” melhor em mim. Mas, às vezes, a opinião de meu amigo
também muda...
Se
a pessoa se empenhar mais nestas quatro situações separadas, descobrirá
os quatro elementos básicos que determinam nossas escolhas.
1º Elemento: “Será que a escolha reside apenas em que cor eu prefiro?”.
Nós
nascemos com preferências predefinidas. A pessoa não tem nenhuma ideia
do que determina as escolhas, como não gostar de um certo tipo de
comida, ou a cor preferida sobre todas as outras cores. Nós dizemos:
"Isso é simplesmente o meu jeito de ser. É com isso que eu nasci". E
isso está precisamente correto.
Cada
um de nós nasce com uma certa preferência para cada um de nossos
sentidos: visão, olfato, paladar, audição e tato. Mas estes primeiros
fatores determinantes vão muito além disso. Nós também definimos coisas
emocionais que gostamos ou odiamos com naturalidade. Todas estas
preferências estão em nós desde o princípio, logo ao nascer. Nós
praticamente não temos nenhuma liberdade de escolha na determinação
delas e, sem a influência externa, elas serão seguidas a todo o momento.
Em outras palavras, com relação aquilo que nascemos, não há qualquer
liberdade.
2º Elemento: “Talvez a cor que eu goste mais tenha mudado”.
Como
foi dito acima, se não tivermos nenhuma influência de fora, tais como
uma necessidade ou outra opinião, as nossas decisões serão baseadas
somente em nossa preferência pessoal, onde nada podemos fazer, porque
nascemos com elas. Mas todo mundo já experimentou alguma vez uma mudança
nessas preferências, tais como: “antes eu odiava o gosto de tomates,
mas agora eu adoro”. O que está acontecendo?
O
fato é que estas preferências iniciais mudam, evoluem com o passar do
tempo. E quando elas mudarem, nossas escolhas mudarão com elas. Isso
significa que fizemos uma escolha independente? Sem dúvida que não.
Significa que este mecanismo de controle interno, que determina o que
escolhemos se não houve nenhuma influência externa para neutralizá-lo,
reorganizou assim o que preferimos. Desculpa, também não há nenhuma
liberdade aqui.
3º Elemento: “E tem ainda a opinião do meu amigo, que fica mais feliz em me presentear com aquilo que ele acha que “ficará” melhor em mim”.
Estas
são as influências externas, o nosso ambiente. Logicamente, elas nos
influenciam bastante. Elas são tão poderosas, que podem anular nossas
preferências internas num instante. Por exemplo, eu posso adorar a cor
verde, mas a minha nova namorada ficou simplesmente louca em me ver com
uma camisa preta. Se tivermos um encontro hoje à noite, você pode
imaginar que cor eu usarei?
Mas
essa influência não se limita aos amigos e à família. Somos
constantemente bombardeados pelos anúncios da televisão e do rádio, que
sempre nos dizem o que precisamos ter e por que. Quantas vezes você viu
algo que simplesmente foi obrigado a ter, e uma semana depois de ter
saído para comprá-lo, queria saber porque fizera isso? Você foi
simplesmente pego pela propaganda da sociedade. Esta influência se
estende por todos os aspectos de nossas vidas.
O
ambiente à minha volta me diz exatamente o que é importante na minha
vida. Ele determina que quantia de dinheiro eu deveria ganhar, e como eu
deveria ganhá-lo, que nível de educação eu deveria ter, e até mesmo o
que eu deveria ter hoje à noite para o jantar. “Ah!” você diz, “aqui há
alguma liberdade, porque eu poderia escolher entre duas refeições
diferentes para o jantar depois de ver ambas na televisão”. Novo
desapontamento, porque essa escolha foi feita com um cálculo simples de
qual refeição lhe trará o maior prazer. Não há nenhuma liberdade aqui.
4º Elemento: “Mas às vezes a opinião do meu amigo também muda”.
Sim,
a opinião de um amigo também muda. Assim como a opinião da nossa
sociedade. E esse é o fator final na tomada das nossas decisões. A
pessoa só precisa olhar como os estilos mudam todos os anos para ver
este fator em toda a sua plenitude. Os vestidos eram curtos no ano
passado e a minha filha precisou de seis novos. Este ano eles são um
pouco mais longos. Oh!, ela precisa de vários outros.
O
que está acontecendo aqui? Bem, a influência da sociedade também
evolui. Nós realmente podemos ver isso na educação. Há trinta anos
atrás, um diploma da faculdade era uma vantagem. Atualmente, ele é uma
necessidade absoluta, e um diploma de pós-graduação é considerado um bom
começo. Mais uma vez, não encontramos nenhuma liberdade. Portanto, se
aquilo com o que nascemos, suas transformações, bem como nosso ambiente
externo e suas transformações, nos controlam e determinam tudo aquilo
que fazemos, então onde está a liberdade em nossas vidas? É verdade que
estes quatro fatores controlam tudo que fazemos. Mas há um momento de
liberdade. Nós não podemos mudar as coisas inatas, mas podemos
determinar o ambiente em que escolhemos viver. Essa escolha é o único
ponto de liberdade em toda a nossa vida.
Quando
a pessoa descobre a finalidade pela qual está no planeta, em outras
palavras, a razão da sua vida, tudo que ela precisa fazer é escolher um
ambiente que apoie essa razão mais do que qualquer outra coisa. Tal
escolha praticamente garantirá que ela alcance a meta da sua vida.
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