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Então eu soube que um mensageiro Divino havia vindo socorrer-me com um
bom pão e carne - e com compaixão tinha me avisado que minha missão
poderia não ser tão simples, apesar de todo o meu entusiasmo. Fiquei
desanimado com seu aviso. Meu entusiasmo diminuiu. O caminho até a
primeira vila pareceu interminável. Como uma mudança no pensamento
humano produz mudança de ânimo!
Ocorreu-me que poderia “experimentar” novamente a verdade de tudo o que
me havia sido ensinado pulando a borda de um precipício, o que
encurtaria bastante a minha jornada. Quando estava a ponto de pular,
ocorreu-me fortemente que eu tentava “provar” que meu tempo de
iluminação havia sido real. Se eu precisava de tal prova, era porque
estava duvidando e provavelmente me mataria; além do mais, haviam me
mostrado que em qualquer situação poderia elevar meus pensamentos até o
“PAI CONSCIÊNCIA CRIATIVA” e pedir por uma solução para qualquer
problema. Com que rapidez me esquecia da Verdade!
Então rezei com grande fervor, pedindo perdão por minha fraqueza e por
ser indulgente com minhas fantasias, buscando minha própria forma de
fazer as coisas. Novamente, a resposta chegou como força renovada e
maior firmeza no passo, enquanto escalava o terreno acidentado. Também
percebi que cobria distâncias maiores tão rapidamente que parecia estar
fora da contagem normal do tempo; e eu me encontrava em uma dimensão
mais leve onde a experiência humana era elevada acima da pesada
escravidão do esgotante gasto de energia. Caminhar era tão fácil quanto
revigorante. Exultei pelo fato de ter encontrado a chave para uma “vida
mais abundante”!
Um pouco depois, ao sentir-me mais à vontade, minha mente começou a
vagar e pensei no encontro com o viajante e toda a bondade que ele me
demonstrara. Mas também relembrei o aviso e novamente minha natureza
anterior reafirmou-se e senti uma profunda rebeldia, uma vez que ele
pretendia dizer-me como se passaria o meu trabalho. Decidi que ele não
sabia nada a respeito do meu futuro e deixei de lado o seu aviso.
“Pois”, pensei, “com meu conhecimento eu poderia realizar coisas que
nenhum homem jamais havia feito antes”. Ao invés de lutar em uma vida
difícil, eu poderia começar a acumular riquezas com facilidade, atrair
seguidores por onde quer que fosse, compartilhar meus conhecimentos com
eles e também aliviar um pouco as suas vidas. Eu poderia eliminar toda a
dor e todo o sofrimento.
Enquanto considerava os muitos lugares que poderia visitar tão
facilmente, senti-me tocando de leve a superfície do solo e elevando-me
até alcançar o pico mais alto de uma montanha escarpada, dominando a
região em volta. Tudo estava lá, diante de mim. Senti voltar o meu
entusiasmo. Como seria simples reunir as pessoas e compartilhar todo o
meu conhecimento com elas! Eu me tornaria poderoso, até mesmo famoso,
como o homem que salvou a humanidade de todas as suas doenças e
problemas. Eu ganharia a estima e o respeito de todos e deixaria de ser
lembrado como um sujeito ocioso e inútil.
Com um tremendo choque, tudo o que eu havia acabado de aprender há tão
pouco tempo, há apenas algumas horas, voltou-me à mente com grande força
e clareza.
Eu não havia aprendido que a única maneira pela qual poderia
prosperar seria abandonando minha própria vontade e retornando ao “PAI”
para ter ajuda em tudo que eu empreendesse?
Então lembrei que a criação tinha seus próprios propósitos a cumprir. O
processo de individualização havia criado o “puxar e empurrar”, o “dar e
receber” no comportamento humano. Ainda que estas características
humanas fossem a causa da grande angústia na vida das pessoas, não era
essa mesma angústia que as obrigava a procurar melhores maneiras de
viver a fim de encontrarem a verdadeira felicidade? Compreendi que os
males da humanidade tinham seu lugar no esquema da existência humana.
Seria correto que eu trouxesse informação privilegiada às pessoas, para anular os efeitos do “processo de individualização”?
Percebi que eu pensava desde o “centro” de minha individualidade, o
“ego” e era o impulso do ego que levantava barreiras entre a humanidade e
o “Pai Consciência Criativa”. Portanto, meu “centro de desejo humano”
teria que ser conquistado caso eu quisesse viver em perfeita harmonia
com o
“Pai”, como era minha sincera intenção. E assim eu seguia
meu caminho, pensando a respeito do que poderia acontecer e como eu
poderia superar da melhor maneira os impulsos que regiam a minha
condição humana, a fim de permanecer no Fluxo de “Consciência do Pai”,
da qual extrairia inspiração, orientação, soluções para os problemas,
minha alimentação, saúde e proteção diários. De fato, percebi que
enquanto eu permanecesse dentro deste “Fluxo diário de Consciência do
Pai”, nenhum mal poderia aproximar-se de mim e cada necessidade minha
seria atendida.
E o mais importante: a “Consciência do Pai”, trabalhando por meio de
mim, faria tudo o que fosse necessário para ajudar as pessoas com tanta
necessidade de cura e conforto. Em todos os momentos, eu deveria superar
a minha rebeldia contra a dura realidade da existência para escutar a
“voz interior” e submeter-me à “Vontade Maior” do “Pai”. Esta “Vontade
Maior” era o “Amor Perfeito” dirigido unicamente para promover o meu bem
maior. Seria uma tolice, pensei, continuar trilhando o caminho da
“vontade própria” que até então ditava o meu comportamento.
Fonte:www.stum.com.br
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